Desfile de 25 de Abril de 2017

 

 

                      ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DEFICIENTES

 

COMUNICADO


 Pode ler-se na página do INE que “…ao responder aos Censos, cada cidadão está a “contar” para a “fotografia” da população e do parque habitacional.” A questão que se coloca é que tipo de fotografia se pretende da população e do parque habitacional?  

 

No que diz respeito à deficiência o Censos 2011 defrauda todas as expectativas. As perguntas que são colocadas, eventualmente para esta área, são direccionadas para alguns tipos de deficiência e para os idosos. O País vai ficar a saber que haverá x pessoas com dificuldades em ouvir, mas não se  trata de uma deficiência ou de uma limitação decorrente da idade. O mesmo problema se coloca para a deficiência visual e para a deficiência intelectual. Ficam de fora as pessoas com deficiência orgânica que não se enquadram em nenhuma das perguntas. Em relação ao alojamento familiar não há uma única pergunta sobre a acessibilidade, o que é deveras lamentável.  

 

Mas há mais omissões graves. Não vai ser possível aferir quantas pessoas com deficiência estão empregadas, desempregadas ou que não têm qualquer tipo de rendimento porque tendo sido consideradas aptas para o trabalho e não tendo conseguido um emprego não têm direito a qualquer apoio social. Ou sequer quantas vivem em instituições. 

 

E nem venha o INE dizer que é difícil integrar a deficiência nos Censos porque tornaria o inquérito extenso. O recenseamento da população é efectuado de 10 em 10 anos, implica um custo considerável, pelo que não deve ser desperdiçada a oportunidade para incluir todas as matérias que interessem ao País.  

 

O INE optou por não ouvir as organizações de pessoas com deficiência na elaboração das perguntas dos Censos 2011 e o resultado é um questionário com perguntas vagas e pouco interessantes, que têm por base o modelo médico da deficiência, modelo este que a Classificação Internacional da Funcionalidade, Deficiência e Saúde da OMS pôs de parte. A ligação entre as limitações da deficiência e as impostas pelo meio ambiente não consta deste inquérito.  

 

Mais uma oportunidade perdida de ficar a conhecer o universo das pessoas com deficiência e a partir deste conhecimento adoptar medidas e políticas que ponham cobro à discriminação e segregação destes cidadãos. 


Lisboa, 26 de Março de 2011

 

 

 

 

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