Vem aí o Natal

e o capitalismo não é verde!

“O Mundo que criámos hoje como resultado do nosso pensamento tem agora problemas que não podem ser resolvidos se pensarmos da mesma forma que quando os criámos” Albert Einstein

 

Estamos a entrar na época das festividades natalícias,
período em que o consumismo dispara, estimulado por uma publicidade omnipresente e que utiliza abundantemente o vocabulário da solidariedade para vender melhor. Vamos, pois, entrar num período particularmente paradoxal, na medida em que o consumismo, motor indispensável ao capitalismo de mercado, vai conviver e, porventura, apoiar-se em palavras do discurso sobre a emergência climática. Esta é uma contradição fundamental do nosso tempo que podemos resumir no slogan “o capitalismo não é verde”, ou seja, não é ecológico. O Acordo de Paris, aquele que o Presidente Trump repudiou e que tem como objetivo manter o aquecimento global abaixo de 2 graus Celsius, assenta toda a sua filosofia na “descarbonização”, ou seja, na drástica redução das emissões de CO2. Para o sucesso deste objetivo, os transportes assumem um papel decisivo, levando à utilização crescente das baterias de lítio como fonte de alimentação energética. As baterias de lítio estão em toda a parte. Nos telemóveis, nos marca-passos, nas próteses auditivas, nas motos, nas trotinetes e bicicletas elétricas, nos transportes. Parece, pois, que as baterias de lítio, além de se transformarem numa in-finita oportunidade de negócio vieram para salvar o Mundo. O reconhecimento vem com a atribuição do prémio Nobel da Química 2019 aos “pais” das baterias íon de lítio, embora com um atraso de pelo menos trinta e quatro anos, visto ter sido em 1985 que se iniciou a comercialização desse tipo de baterias. O problema é que a Academia Sueca, que atribui os prémios Nobel, não previne que essas baterias também poluem, não quando estão a ser utilizadas mas quando estão a ser carregadas pois a maior parte das fábricas de produção 
de energia elétrica são altamente poluentes e não há nenhuma previsão da poluição que será provocada pela destruição das baterias quando chegar ao fim o seu tempo de vida útil. Pense nisso quando escolher os seus presentes de Natal e não se deixe contaminar pela publicidade!
Natal é tempo de presentes. Dos tradicionais presentes às crianças, invocando as ofertas dos Reis Magos ao Menino Jesus, a sociedade do consumo impôs que se oferecessem presentes de Natal aos adultos, pais, avós, amigos, colegas de trabalho…, provocando uma overdose de lixo, em papel e plásticos eventualmente recicláveis. Entretanto há os excluídos, adultos e crianças com ou sem deficiência que não podem sequer satisfazer as suas necessidades básicas, que vivem, ou sobrevivem, precariamente. E é aí que entram as campanhas ditas de solidariedade, para uns, ou de caridadezinha, para outros, e que são seguramente grandes campanhas mediáticas, com enormes custos financeiros e ambientais e que têm o desmérito de acalmar consciências para que a resolução efetiva da pobreza e da poluição, dois grandes problemas que ameaçam severamente a vida neste Mundo globalizado, continue em lista de espera.

Helena Rato

 

 

 

 

 

 

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