Desfile de 25 de Abril de 2017

 

  ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DEFIENTES

 

Carta Aberta à Sra. Ministra da Saúde,

 

Exma. Senhora Ministra da Saúde,

Dra. Marta Temido

Uma clínica de hemodiálise, situada no concelho de Almada, pertencente a uma grande multinacional, comunicou aos seus pacientes que poderia, nos próximos dias, reduzir o tempo da diálise de 4 para 3 horas, por falta de enfermeiros. Ontem, dia 23 de Março, o tempo do tratamento foi já reduzido para 3 horas e meia. Foi ainda comunicado aos pacientes que a clínica poderia também vir brevemente a suspender o habitual lanche, essencial durante a diálise.

A justificação da clínica é que não têm, neste momento, enfermeiros e auxiliares suficientes para garantir os tratamentos e apoio aos doentes.

Foi ainda transmitido a doentes desta clínica que as clínicas de outra multinacional a operar em Portugal estarão também a aplicar estas medidas.

Não temos palavras de descrever esta decisão que contraria todas as normas de boas práticas em diálise para salvaguardar a qualidade e mesmo a vida dos insuficientes renais.

A Circular Normativa da DGS sobre Gestão Integrada da Doença Renal Crónica – Metas e Objetivos para Monitorização de Resultados em Diálise Nº: 03/DSCS/DGID, datada de 22/02/08 refere claramente que o tempo de diálise deve corresponder a 3 sessões semanais com um total de horas igual ou superior a 12 horas. Acresce que o Regulamento n.º 533/2014 estipula que deve haver um enfermeiro por 4 camas/lugares.

Na clínica em questão há 180 doentes, sendo que o problema de fundo é que, nessa clínica, há apenas 4 ou 5 enfermeiros com vínculo permanente, tendo os outros cerca de 40, na sua grande maioria, vínculos contratuais a hospitais e outros estabelecimentos de saúde do SNS ou de estruturas privadas, sendo o seu trabalho na hemodiálise, uma atividade suplementar.

Esta é assim a preocupante realidade dos vínculos contratuais de médicos e enfermeiros na grande maioria dos centros de hemodiálise privados em Portugal.

Não têm as multinacionais a obrigação de cumprir as normas que vigoram em Portugal? A defesa da saúde dos cidadãos não é um imperativo constitucional?

As pessoas hemodialisadas estão entre os grupos mais vulneráveis a infeções virais devido à baixa imunidade que apresentam. Esta imunidade fica ainda mais comprometida com a redução de horas de diálise.

Atravessamos um período terrível cujas consequências futuras são imprevisíveis, mas uma certeza retiramos deste crise, a de que o Sistema Nacional de Saúde é a única resposta possível aos desafios que uma pandemia coloca.

A APD sempre defendeu que o Serviço Nacional de Saúde é o único garante da qualidade dos cuidados de saúde. 

Esta decisão inclassificável de reduzir o tempo de diálise, que visa apenas e só o lucro destas multinacionais, mesmo pondo em causa a vida dos doentes renais, prova à saciedade a urgente necessidade de criar unidades de diálise públicas em número suficiente.

Neste período de grave crise, solicitamos que Vossa Excelência possa, com a maior celeridade, proceder à afetação imediata de um corpo suficiente de enfermeiros e médicos em dedicação exclusiva para dar resposta às necessidades urgentes dos pacientes em hemodiálise, cuja vida depende deste tratamento.

Da capacidade de resposta das unidades de diálise depende a qualidade de vida de 20.000 cidadãos que, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Nefrologia em 2018, se encontram no nível mais grave da doença.

Apelamos assim a Vossa Excelência, para que possa adotar, com carácter de extrema urgência, as medidas de reforço do pessoal (médicos, enfermeiros e auxiliares) nos centros de hemodiálise, para que se evitem consequências dramáticas para a saúde e vida destes pacientes. 

Gratos pela tenção dispensada e na expectativa de uma resposta de Vossa Excelência, subscrevo-me,

Atentamente

Ana Sesudo

A Presidente da Direção Nacional da Associação Portuguesa de Deficientes - APD

 

 

 

 

 

 

 

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